Galeano, meu querido!
Logo agora que me reaproximava de ti, não pelo Uruguai, via distante por enquanto, mas daqui mesmo, do pequeno quarto que me cabe, com Curisco me arregalando o olho; dois.
Daqui: da cama e do teto. E do ventilador!
Mas há uma simbologia cósmica carregada de ironia; não haveria melhor hora...
Ontem li uma matéria sobre o neo biocentrismo, uma visão científica segundo a qual a alma ou a consciência humana, após a morte, seria liberada dos "microtúbulos das células cerebrais que são os sítios primários de processamento quântico".
Tudo bem...
Recorro, não aos bolsos, ou Bolsonaros,
mas sim, e também, aos Abraços daquele livro, e ao primeiro micro-conto, "O mundo":
"Um homem da aldeia de Négua, no litoral da Colômbia, conseguiu subir aos céus.
Quando voltou, contou. Disse que tinha contemplado, lá do alto, a vida humana. E disse que somos um mar de fogueirinhas.
- O mundo é isso - revelou - Um montão de gente, um mar de fogueirinhas.
Cada pessoa brilha com luz própria entre todas as outras. Não existem duas fogueiras iguais. Existem fogueiras grandes e fogueiras pequenas e fogueiras de todas as cores. Existe gente de fogo sereno, que nem percebe o vento, e gente de fogo louco, que enche o ar de chispas. Alguns fogos, fogos bobos, não alumiam nem queimam; mas outros incendeiam a vida com tamanha vontade que é impossível olhar para eles sem pestanejar, e quem chegar perto pega fogo."
Eduardo?!
..Ardo...
Deixou saudades...
ResponderExcluir