terça-feira, 6 de junho de 2017

A valsa dor


Pus, em minha fé, a minha alma;
A incoerência de todas as almas meninas.
Fiz da minha alma a certeza de todas as dúvidas
A certeza de todas as dúvidas!
Acreditei na dúvida do Ser
Acredito na alma do Ser
Acredito na liberdade almejada e temida, tão!
Acredito nesse amor que ronda o peito,
Arromba a caixa do peito!
Percebo a dor no peito e na alma do Ser
Percebo o cegar-se por tanto querer ver...
Por tanto ter, parecer...
A valsa dor não me distrai.
A falsa liberdade não me distrai.
Os tambores não me distraem.
As cores, os risos, os ternos não me dão ternura.
Nem as ruas demarcadas, cerceadas por “arame novo”
O Ser suplanta seu sonho, mistifica o amor,
Despede-se de si!
Fortificar os sonhos dos seres, apenas sonhados
Pois, ainda, sei que meu sangue correrá sob as praças centenárias
Era o rio
Era a terra
Meu sangue poluir-se-á.

Meu espírito a expandir-se!




quarta-feira, 3 de maio de 2017

sábado, 14 de janeiro de 2017

"Estruturário"

Em tempos de acidentes carcerários,
percebo no pcc o legitimado
cárcere "estruturário"
(câmara, congresso, planalto)

sem mencionar os pingos nos 'j's


segunda-feira, 23 de maio de 2016

Escutai o corpo

segue o corte.
rente.
um braço cai.
o outro.
fratura exposta.
manca.
o ar no ar.
pútrido.
pele.
músculo.
osso.
não se trata nem de um braço nem de outro.
nem de um e nem de outro.
renascer o corpo.




sábado, 7 de novembro de 2015

O Minino



O minino nasceu, o minino chorou
O minino fez cocô em suas fraldas
E se escondeu atrás das portas
O minino teve medo, merecido
O minino leu
E aprendeu a jogar pedra em tamarindo
E, indo, continuou rindo e findo nunca fora
O minino namorou e se esqueceu
E se lembrou de nunca ter-se esquecido
E relembrou... o minino
O minino, então, cresceu
Cozinhou feijão e arroz
Namorou mais um ‘cadinho
Animou festa a violão
Recitou poemas lidos, lindos
Mas enquanto ele crescia o coração ia... diminuindo
E estranhou  a pouca gente que cabia
Quando antes era tão... grande
Grandíssimo engano do homem
Não ser responsável pelo eterno minino
Afinal de contos,
Maior que sua barba, sua casa, seu Berlingo
Maior que a história de todos os hinos

Existe a história da mãe do minino!




sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Doce d'ocê... (Dona)



O doce d'ocê, Dona
Mais dos 'óio' que de boca
Mas, se da boca ceda logo
E que logo seja antes:

Que destrance outra trança
Que desate outro ato
Que Suassuna seja moço
Que minha sina, Sancho Panza

É cedo pr'ocê, Dona?
É doce e cedo pra tudo.
Mas de cedo pr'o caduco faz-se um pulo.

Assim, arrisco um risco arisco
Pra não perder essa palavrinha

Pra não ser dor o que não é minha...



segunda-feira, 12 de outubro de 2015

No alto da parede havia um velho



No alto da parede havia um velho
Eu que sempre achei que ele estava a flutuar
Havia um velho que previa alguns destinos
Tragava seu cachimbo
Uma névoa que escorria dos cabelos
Neblinava o quadro inteiro
E se extendia na parede
Só não diafanava a cor dos olhos
Olhos negros,
E a casca que mostrava a existência de algum ser
Como um balão,
Que se enchia de invisível.

Havia lá no alto da parede um preto velho
E a parede tão mais alta àquele tempo
 O olhar em diagonal
Era como um desvio surpreendido
Apreendendo o meu pulo de janela
Pro jardim...
Aquela névoa, agora em mim,
Esmiuçava cada canto das paredes do meu corpo
Agora em mim, atribulava o choro espanto
Até que eu tentava enganar o seu olhar

Parecia cada vez mais estar em todo canto:
Na casa da senhora que vendia quente leite
Na casa do senhor que colhia leve algodão
Na casa da senhora que tosa, da cabra, a lã
Na casa do senhor que cultiva arroz em grão

E a névoa tinha hálito de cachaça
Transparente
E o olhar que trespassava toda casa
Indescente

No alto da parede ali em mim havia um velho
Que olhava o outro velho da parede sobre mim
Habitava muitas casas sem parede nem jardim
E emparedava, com seus relhos, muito velhos
Muitos velhos

No alto da parede branca havia um preto velho
Que olhava o branco-preto do pretérito
Imperfeito de vermelho no brelho do tal jardim
E agora em mim, fora o jardim, o brelho, o velho,

O branco-preto do teu relho muito velho, muitos velhos