sexta-feira, 27 de junho de 2014

Aeróstato



Ver a fogueira queimar.
E rir.
Erguer estruturas de muitas verdades.
Ruir.

Não há somente a madeira que arde; há o vento
Que leva vela e que incinera
Qual balão, o  ar sempre queima dentro
Rareando cada dia o não visível
Sair do chão
Inflar
Arriscar um dirigível

Mas é balão de muitas cores
De olhar por sobre as árvores
Nesses olhos do alto acreditar
Mas o ar que leva, queima
Ao calor dos dois é que se teima
É que se arrisca o cheio ao vazio

Às vezes falta ar, cessa a chama ou rasga em fogo a Passarola
Não há ponto que dê jeito, tela ou cola
Às vezes é um vento que descuida a direção
Muitas vezes é um nem sair do chão
E o cesto de firme vime vira a sesta de toda hora
Sempre resta coisa fora

De esvaziar é a subida
Falt[ar]
Que lá pro céu de cima é aproximar
Pr’os daqui há de mirar o subir lento
Admirar a quase mágica do intento
Que lá pro céu de cima é [in]ventar
[ex]gravidar, [des]gravidar, [re]gravidar



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